Estamos preparados para envelhecer?

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Estamos preparados para envelhecer?

No primeiro dia do mês de outubro de 2003 foi aprovada a lei que tornou vigente o Estatuto do Idoso. Nesta mesma data, anualmente, celebra-se o Dia Nacional do Idoso.
Mas qual o objetivo desta celebração? Quando foi instituída pelo Senado Federal, tinha o propósito de provocar uma reflexão sobre a situação do idoso na sociedade, reforçando a necessidade de inserção desta parcela da população no âmbito da política nacional, fato que teve seu início em 1994 com a criação do Conselho Nacional do Idoso. Após a criação do Estatuto do Idoso, o principal instrumento que assegura os seus direitos, esta data comemorativa reforça ainda mais a importância da inclusão social dos longevos como também fomenta discussões de como garantir um envelhecimento com dignidade, respeito à integridade física e moral, saúde e liberdade de escolhas.
O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial incontestável. Mas estamos verdadeiramente prontos para envelhecer? Como indivíduo e como sociedade? Como envelhecer diante de uma realidade cultural que cultua aquilo que é novo? Como lidar com a contradição de uma sociedade que, ao mesmo tempo em que busca alternativas que prolonguem a expectativa de vida das pessoas, renega o tão natural ato de envelhecer e exclui os seus idosos, abandonando-os, muitas vezes à própria sorte?
É preciso enxergar a velhice como mais uma fase da vida e promover o envelhecimento ativo, dando oportunidades de saúde, de educação continuada e de participação na vida social. O conhecimento acumulado pelos anos vividos pode ser aproveitado e investido em políticas de reinserção no mercado de trabalho e de possibilidades de contribuição para a sociedade.

É papel dos geriatras e gerontólogos trabalhar o conceito do envelhecimento ativo, desvincular envelhecimento de doenças crônicas, reconhecer que o envelhecimento traz perdas, mas que é possível viver esta fase com qualidade de vida.
O envelhecimento populacional é um triunfo do desenvolvimento, representando tanto um motivo de comemoração como um desafio. O aumento da longevidade é uma das maiores conquistas da humanidade, oriunda da melhoria nas condições de vida dos idosos. Este movimento se deu através de melhor acessibilidade pública, melhorias nas condições sanitárias, desenvolvimento econômico, social e cultural da população, melhorias no cuidado desde o nascimento, a orientação nutricional, o estímulo à prática de atividade física, avanços na medicina com controle de doenças crônicas e práticas de políticas de saúde voltadas para esta parcela da população.
Mas a população em envelhecimento também apresenta desafios sociais, econômicos e culturais para indivíduos, famílias, sociedades e para a comunidade global. Para garantir que o bem-estar de todos melhore ao longo dessa mudança demográfica, mais esforços são necessários para minimizar as desigualdades e melhorar as condições dos mais velhos.

Dra Raquel V. Bedone Lepper
CRM 16037    RQE 9916
Especialista em Geriatria e Clinica Médica pela USP
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Geriatria e
Gerontologia